Tratamento Melódico – Uníssono

O estudo do arranjador/orquestrador nada mais é do que ouvir música e arranjar, apenas isso. É necessário tocar um instrumento? Depende. Meu instrumento é o Finale e, às vezes, um violão pra harmonizar enquanto solfejo uma melodia. Isso só é possível porque eu ouço muita música. Ouvir música não é só apreciá-la, vai bem além disso. Ao ouvir uma música devemos prestar atenção na forma, na instrumentação, no arranjo, na mixagem e etc. Parece simples, e é. É trabalhoso? Muito! Mas o que não tem de trabalhoso na área de música?

Possuo um monte de livros de arranjo e a maioria possui o áudio (o cd com os exemplos). Quando não possui esse recurso eu procuro gravação, tento gravar o exemplo, tento sequenciar, escrevo no Finale e etc. O importante é ouvir de alguma forma para ter a referência, que é a nossa grande aliada nessa jornada infinita da produção musical.

Você pode pegar qualquer livro de arranjo (não é de orquestração) que boa parte fala sobre técnica. Combinação de timbres? Dobramento da melodia? Falam pouco ou nem falam. Combinação é importante, além de básico, é onde você vai definir quais instrumentos irão tocar a melodia criando um novo timbre. O tradicional, feito com instrumentos acústicos, você acha em livros de orquestração, mas você não vai achar uma flauta sendo tocada com guitarra distorcida em livros de arranjo e orquestração, você vai achar ouvindo música, pois sempre vai ter alguém que vai experimentar novos timbres, novas combinações de instrumentos acústicos com os elétricos e eletrônicos.

Esse vai ser o tema do assunto de hoje, combinando instrumentos tradicionais com elétricos e eletrônicos.

 

Uníssono com o mesmo timbre

 

Algo simples, mas que passa despercebido nos livros de arranjo, é a melodia sendo tocada em uníssono pelo mesmo timbre. Uma melodia sendo tocada por um instrumento soa de uma forma, mas soa completamente diferente quando se tem dois ou mais instrumentos (iguais) em uníssono. Para mostrar mais claramente, ouça a música abaixo:

 

John Williams usou seis trompetes (bem típico em fanfarra) pra tocar esse tema inicial. Veja como a sonoridade é bem condensada.

Ouça o solo de trompete dessa mesma música e veja a diferença de timbre e sonoridade.

 

Geralmente o solo é pra dar mais expressividade para a melodia. O músico fica mais livre na hora de interpretar. Quando a música é popular, as ornamentações ficam por conta do instrumentista. 

 

Uníssono com timbre diferente

 

Quando se mistura instrumentos, criamos um novo timbre. A soma dos dois (ou mais) gera um novo timbre. Com a mesma melodia do John Williams, vou adicionar uma guitarra elétrica com distorção pra ver como fica a soma desses instrumentos.

Esse tipo de instrumentação me faz lembrar trilhas de jogos e filmes da década de 90.

E se adicionarmos um sintetizador? Os sintetizadores são um mundo de timbres. Escolhi um timbre doce pra contrastar com o timbre metálico dos trompetes.

 

Áudio do trompete e synth

Me lembrou o timbre do trompete com a trompa que mostrei no artigo do superman

 

Áudio do synth

 

Áudio do synth e da guitarra

 

Áudio com trompete, synth e guitarra

 

Conclusão

Ao dar o devido tratamento melódico, lembre-se que isso é uma forma de contrastar. Usar sempre a mesma combinação em um devido arranjo é monótono e deixa o arranjo sem graça. O arranjador tem que saber instigar o ouvinte, seja com harmonia, textura ou timbre.

 

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Até a próxima!

 

6 de fevereiro de 2019

2 respostas em "Tratamento Melódico - Uníssono"

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