Raciocínio Funcional da Harmonia

O tema função harmônica, estudado na harmonia tonal, mostra a relação hierárquica de cada acorde dentro de um centro tonal, ou seja, a função gera movimento harmônico e, nesse caso, movimento é uma forma organizar uma progressão ou, no termo popular, combinar um acorde com o outro.

Neste artigo mostrarei como pensar de forma funcional pode trazer mais riqueza para sua harmonização.

 

Funções

 

Apesar de termos sete acordes e cada acorde ocupando uma função, é possível resumir todos os sete acordes em apenas três: Tônica, Subdominante e Dominante.

Como exemplo, eu vou pegar o acorde do quarto grau de ré maior, ou seja, sol maior.

funcao-01

O mi menor é mais forte que o si menor por conter a nota sol e si, ou seja, fundamental e terça da subdominante. Já o si é mais fraco que o mi por ter apenas a terça e a quinta.

Agora veja as possibilidades de enriquecer o acorde sol maior com notas de tensão.

 

notas-sol

 

Se pararmos para analisar profundamente, veremos esses dois acordes dentro de sol.

triades-em-sol

 

Temos basicamente todos os acordes da escala de ré maior em um único acorde, como vou saber quando é um acorde invertido ou um acorde com nota de tensão?

Veja o exemplo:

exemplo

 

Se tivéssemos que analisar esse trecho, com toda certeza muita gente iria ficar na dúvida em qual acorde colocar no segundo tempo em diante do primeiro compasso.

compasso-1

 

Devemos fazer todo tipo de pergunta, pois é questionando que a gente chega lá. Exemplo:

Que acordes são esses?

A nota si muda a harmonia a ponto de mudar a função do acorde?

E o segundo tempo, é subdominante ou dominante?

O segundo compasso começa com sol maior ou mi menor com baixo em sol e depois vira sol maior?

Ok, primeiro vamos remover todas as notas que estão no tempo ou parte fraca e articular as notas que estão ligadas.

 

exemplo-02-piano-red

 

A escolha do IIm se dá pela tríade de mi menor e o baixo em ré que é a sétima menor fazendo um IIm7 na terceira inversão. Já o acorde seguinte pode ser de sol pois o mi está retardando a entrada do ré. Ora, mas o ré também está retardando a entrada do dó sustenido, não é verdade?

Então vamos ver outra possibilidade de análise:

exemplo-02-piano-red-2

 

Agora complicou de vez, VII meio diminuto ou IIm? Veja:

exemplo-022-piano-red

 

Entretanto, para o meu ouvido e isso é pessoal, não consigo ouvir o VII e sim o II. Faz mais lógica a primeira análise por causa da progressão que é muito mais tradicional do que um VII indo para o II ou IV. Não estou dizendo que é ruim, errado ou algo do gênero, estou dizendo que, pela função harmônica, é mais tradicional o IIm ir para o IV (e vice-versa) do que um VII ir para o IV ou II.

 

Conclusão

 

Saber os caminhos harmônicos facilitam a análise, não tenha dúvida disso. Assim como ter o domínio das notas melódicas, pois existem diversos acordes resultantes que nosso ouvido não percebe, mas estão ali e só tendem a deixar nossa harmonização mais rica. O nosso ouvido é o nosso maior aliado, por mais que tenha pegadinha, ainda sim devemos confiar nele. Saber a resolução tradicional do trítono facilita quando surge um acorde resultante de função dominante.

O domínio da função harmônica irá fazer com que você possa gerar diversos acordes, em especial os resultantes, dentro de um único acorde e isso irá deixar sua harmonização com um certo grau de complexidade, por mais que soe simples como o exemplo dado.

Veja uma análise mais profunda:

analise-completa

 

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Grande Abraço!

20 de abril de 2020

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